O Ministério da Educação (MEC)
identificou em pelo menos 31 instituições particulares de ensino superior
problemas em relação à participação dos seus alunos no Exame Nacional de
Desempenho de Estudantes (Enade). De acordo com o ministério, há “inconsistência
nos dados", já que nessas faculdades o número de estudantes que
participaram da avaliação é inferior ao de formandos indicados pelo Censo da
Educação Superior.
O levantamento foi feito após
denúncia encaminhada à pasta de que a Universidade Paulista (Unip) estaria
selecionando apenas os seus melhores alunos para participar do Enade e, assim,
conseguir notas mais altas. A mesma prática poderia estar ocorrendo nessas
outras instituições. Todas as faculdades foram notificadas e algumas já
enviaram esclarecimentos ao MEC.
O ministério anunciou que instalou
uma auditoria com prazo de 60 dias para aprofundar as investigações contra a
Unip. Outra medida tomada foi a determinação de visitas de comissões de
especialistas para avaliação in loco de todos os cursos da universidade que estejam
em fase de renovação ou de reconhecimento do credenciamento. Em geral, os
cursos não precisam passar por essa etapa de avaliação se tiverem nota superior
a 3 (em uma escala de 1 a 5) nos indicadores de qualidade do MEC, como o Conceito
Preliminar de Curso (CPC) e o Índice Geral de Cursos (IGC).
Segundo o ministério, caso sejam
confirmadas as tentativas de manipular os resultados do Enade também nas outras
30 instituições, serão aplicadas as mesmas medidas determinadas à Unip. O exame
é aplicado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais (Inep) a estudantes concluintes e ingressantes de cursos
superiores de universidades públicas e particulares. A cada ano, é avaliado um
grupo específico de cursos de graduação. O objetivo é aferir a qualidade do
ensino oferecido pelas instituições. Aquelas que apresentam resultados
insatisfatórios podem sofrer sanções do MEC, como corte de vagas e até
fechamento do curso.
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