As polêmicas em torno da Lei Geral da Copa podem não ter acabado com o
acordo na Câmara dos Deputados sobre a venda de bebidas alcoólicas nos
estádios. Com a chegada da matéria ao Senado, a discussão pode
recomeçar. Aprovado na última quarta-feira (28), na Câmara, o projeto já
chegou ao Senado e está pronto para começar a ser analisado a partir
desta semana pelo menos em duas comissões.
Embora o líder do PSDB, senador Álvaro Dias (PR), tenha anunciado que a
oposição não irá atrapalhar o processo de votação, alguns senadores já
começam a se manifestar contrários ao projeto. É o caso do senador Pedro
Taques (PDT-MT), que se declarou contra a venda de bebidas nos estádios
e outros pontos do projeto.
Para Taques, o acordo firmado com o governo com a Federação
Internacional de Futebol (Fifa) para a Copa do Mundo no Brasil não pode
estar acima da soberania nacional e das leis brasileiras. “Isto aqui não
é uma republiqueta de bananas”, declarou Taques à Agência Brasil.
“O Executivo assumiu compromissos, mas isso não significa relativizar
nossa soberania. Eu não vou fazer acordo com o diabo para fazer a obra
de Deus”.
Ele também disse ser contrário à pressa para votar o projeto. Na
opinião de Taques, o assunto precisa ser bem discutido e votado quando
houver maturidade. “Acho que tem que ser debatido no tempo do
Congresso”. O senador mato-grossense deve ter apoio de colegas
considerados independentes. Além disso, o PSOL, o único partido na
Câmara que votou contra a matéria, deve repetir o voto com o senador
Randolfe Rodrigues (AP) no Senado.
Mas a expectativa dos governistas é garantir a aprovação da matéria o
quanto antes, de preferência até maio. O líder do PT no Senado, Walter
Pinheiro (BA), acredita que será possível conseguir um “equilíbrio” nos
debates de modo que seja votado em plenário um relatório unificado das
três comissões por onde o projeto deverá passar. “Não queremos de
maneira nenhuma atropelar [as discussões], mas também não queremos
postergar”, declarou Pinheiro. “Vamos tentar aproveitar o debate
prolongado que essa matéria teve na Câmara para reduzir o tempo aqui no
Senado”.
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